Um chefe a menos, uma risada a mais
Por César Brasil em 30/08/2011
Ah, a boa e velha comédia inocente... Gente matando gente, mulheres abusando de homens honestos e muito uso de drogas. Traga as crianças e a diversão está completa! Eis o lado bom: eu não estou sendo nem ao menos próximo de tão sarcástico quanto aparento. Apesar da temática mórbida e depravada, a forma como é abordada pelo diretor Seth Gordon faz desse longa quase 100 minutos de diversão puríssima para toda a família, exceto talvez pelos sogros.
Em primeiro lugar, o elenco central absolutamente brilhante, composto por quatro astros da TV americana e dois grandes nomes do cinema, faz de Horrible Bosses (“Quero Matar Meu Chefe”) uma fórmula exata para o sucesso.
Charlie Day pode ser reconhecido pela hilária série It’s Always Sunny In Philadelphia, atualmente veiculada na TV a cabo brasileira pelo canal FX. Nela, Day não apenas atua na pele de um afobado, ansioso e moralmente incorreto personagem central, como também roteiriza, produz e age ativamente na trilha sonora diegética.
Jason Bateman, por sua vez, fez sua carreira no papel principal da também excelente série americana Arrested Development na pele de Michael Bluth, possivelmente o único “normalzinho” de uma família um tanto insensata.
Há ainda Jason Sudeikis, que fez parte do elenco fixo de nada menos que o programa mais tradicional da TV americana por bons nove anos: Saturday Night Live o lançou no mundo do entretenimento como um excelente ator cômico.
Por último, porém nada menos importante, está a eterna Jennifer Aniston, que dispensa qualquer apresentação. Após figurações e participações “esquecíveis” no cinema e na TV, foi no queridíssimo seriado Friends que Jen (só para os amigos) brilhou para o planeta Terra e parte de Marte na pele de Rachel Green.
Das telonas, temos os imortais Collin Farrel e, principalmente, my man, o peso-pesado dos pesos-pesados de pesos-pesados da atuação peso-pesada, Kevin Spacey. Nada menos que meu ator favorito, com um histórico profissional de dar inveja ao Papa, que nunca atuou nem mesmo em propaganda de pasta dental. Este é o 47º filme em que Mr. Spacey atua, todos com brilhantismo.
Em papéis menores, porém não menos intrigantes, há Jamie Foxx mostrando que sabe fazer comédia, o aclamadíssimo Donald Sutherland, Julie Bowen, do seriado Modern Family, um de meus favoritos, veiculado no Canal Fox, entre outros.
OK, foram sete parágrafos para falar apenas do elenco. Se a mensagem ainda não tiver sido passada: o elenco é nota 10! Mas continuemos. O roteiro de Horrible Bosses é tão incrivelmente engraçado que chega a tirar a graça de muitos bons filmes. Com um belo humor negro e boas tiradas, fica claro que esta é uma daquelas comédias que surgem a cada cem anos, como The 40 Year-Old Virgin (“O Virgem de 40 Anos”), de 6 anos atrás.
Tudo, claro, sob as firmes mãos de um diretor que sabe o que está fazendo. Palmas são devidas a Seth Gordon por levar à frente um projeto que poderia ter dado muito errado, mas que manteve ritmo, qualidade técnica e criatividade bem balanceados.
Como se não bastasse, o filme retoma a inserção de erros de gravação durante os créditos, o que sempre vem como boa surpresa em filmes que não parecem poder ficar melhores. É como eu disse: gente matando gente, mulheres abusando de homens honestos e muito uso de drogas. Traga as crianças e a diversão está completa!
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